Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

Reciclagem de Roupas e Upcycling

por Helena Mrozinski

A reciclagem de roupas, em contraste, é realizada através de um processo que consiste em recuperar as fibras de tecidos que constituem a peça, por meio de métodos mecânicos ou químicos. Os métodos químicos são usados só nas fibras sintéticas; já o método mecânico é usado para qualquer tipo de fibra. É através do processo mecânico que as máquinas trituradoras desfazem a estrutura do tecido e, também, quebram as fibras individuais, tornando-as mais curtas.

Consequentemente, essas fibras geram fios considerados de qualidade inferior. Apesar disso, esse processo pode ser muito lucrativo, devido às inúmeras possibilidades desses produtos vivenciarem outros ciclos de vida, principalmente usadas como matérias primas secundárias, em produtos como filtros, material acústico, "não-tecidos", material para forração de automóvel, isolamentos térmicos, enchimento mobiliário, feltros para tetos, colchões, cobertores, material para horticultura, compósitos e bases para alcatifas, dentre outros. Ao mesmo tempo, a reciclagem possibilita economias significativas, se comparadas com produção de material virgem. Usando menos energia, elimina a necessidade de novo tingimento com todos os impactos hídricos e energéticos associados no processo (FLETCHER; GROSE, 2011; MORAIS; 2013). 

No entanto, em se tratando de reciclagem têxtil, difere da reciclagem de outros materiais, como a das embalagens de vidro. Todas elas, ressalta-se, dependem da economia de mercado. A solução, por um lado, está atrelada à própria tecnologia de transformação de materiais já produzidos e utilizados.

Nesse contexto, os têxteis descartados devem ser introduzidos em planos estratégicos precisos, controlados por uma criteriosa gestão ambiental, para que possam ser utilizados novamente como matéria-prima. Por outro lado, os custos de tais processos, juntamente à quantidade de água e a energia despendida, poderão ser consideradas barreiras para o custo final das matérias-primas resultantes, se comparados ao cultivo e transformação de uma fibra virgens (MORAIS, 2013). 

Apesar das estratégias relacionadas ao prolongamento da vida útil das peças de roupas, evitando a poluição do meio ambiente, ainda é forte a tendência da moda rápida, ou fast fashion (BERLIN, 2012), que faz aumentar o número de peças produzidas, compradas (consumidas) e rapidamente descartadas. Mesmo assim, reciclar materiais têxteis, ou seja, peças de vestuário descartadas, implica não só em um sistema de coleta, distribuição e transformação de desperdícios fluentes, mas, também, em uma infraestrutura para o preparo prévio, isto é, a "triagem" dos lotes empacotados, separação do descarte por cor e tipo de material, e, posteriormente, seguir para o desfibramento ou esfarrapagem, podendo resultar em um material de fibras mistas, como por exemplo algodão e poliéster, ou ter uma só composição, como lã ou algodão, dependendo do mercado ou das empresas de transformação (MORAIS, 2013). 

Devido à grande quantidade de materiais encontrados em uma única peça ? como os acessórios e demais enfeites, além das misturas íntimas de fibras (composição) ?, passaram a representar um importante obstáculo para a reciclagem, no pós-consumo.

A solução possível para esse obstáculo seria o desenvolvimento de um "design para a reciclagem", onde o designer planejaria, ainda durante a fase de concepção do produto, a etapa de desmontagem da peça após seu descarte. Para que isso fosse possível, seria necessário adotar algumas práticas para facilitar o trabalho de reciclagem das peças de roupa tais como: 

1. Restringir o número de materiais em uma peça. Melhor ainda se a peça for toda produzida com apenas um material. 

2. Restringir o uso de tecidos de composição mista. Optar pelo 100% lã, 100% algodão, 100% poliéster, etc. 

3. Restringir o uso de enfeites (botões, zíperes, broches, tachas, etc.) cujo acabamento implique na utilização de produtos químicos, já que estes vão parar no sistema de esgoto. 
4. Utilizar acessórios e enfeites que sejam fáceis de serem removidos (dar preferências a botões, em vez de zíperes, por exemplo), pois permitem um conserto mais fácil (aumentando, dessa forma, a vida útil da peça) e o melhor reaproveitamento da peça no final da vida útil (SALCEDO, 2014). 

Portanto, conceber e projetar produtos facilitando a sua desmontagem significa tornar ágeis e econômicos o desmembramento das partes componentes e a separação dos materiais, dessa forma, viabilizando a reciclagem na moda do pós-consumo. 
 

REFERÊNCIAS 
BERLIN, Lilyan Guimarães. Moda e sustentabilidade: uma reflexão necessária. São Paulo: Editora Estação da Letras e Cores, 2012. 

FLETCHER, Kete; GROSE Linda; Moda & sustentabilidade: design para mudança. Trad. Janaína Marcoantonio; São Paulo; Editora SENAC, São Paulo, 2011. 
MORAIS, Carla C. da Costa Pereira. A Sustentabilidade No Design De Vestuário. - Reciclagem de Vestuário Descartado para um novo Ciclo de Moda. Tese de doutor em Design. UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA Faculdade de Arquitectura. 2013.

Disponível em:. Acesso em: 10 set. 2015. 
SALCEDO, Elena; Moda ética para um futuro sustentável. Trad. Denis Fracalossi. Editora Gustavo Gili, SL, Barcelona, 2014. 

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