Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

Acessibilidade em tempos de pandemia: a Língua Brasileira de Sinais como ferramenta para inclusão do sujeito surdo

por Lucirene Franz Ferrari Fernandes - Professora do Senac Gravataí

O processo de ensino- aprendizagem do sujeito surdo tem sido um desafio cada vez mais presente nas sociedade e nas escolas, ainda mais as quais trabalham no contexto de inclusão desse aluno em classe mistas, ou seja, onde também há alunos ouvintes. A discussão sobre a temática se estende em todos os âmbitos e níveis de educação do sujeito surdo e tem sido um desafio no momento em que uma pandemia assola nossa nação causando vários prejuízos, dentre eles educacionais.

Quando a desigualdade social se intensifica, seja por qualquer agente causador, as minorias sempre são as primeiras a sofrer o impacto. Sabemos que o momento é de grande incerteza em todas as áreas, porém quando se fala em educação, temos acompanhado a dificuldade de acesso, por diversos fatores, que os alunos têm enfrentado. Nesse “enrosco epidêmico”, o aluno surdo se depara com a barreira linguística para ter acesso até mesmo às informações que todo cidadão tem direito.

As marcas de exclusão social são partes do DNA do sujeito surdo que enfrenta, todos os dias, os percalços que uma minoria normalmente enfrenta e que no período de crise se apresenta de diversas formas. E a pior delas é a falta de acesso à informação intensificada, devido à barreira linguística que se apresenta pela falta da janela de Libras, segundo LOPES (2007, p.28)

As línguas de sinais são instrumentos essenciais para transmitir cultura e conhecimento. O status e o reconhecimento delas no mundo devem ser reforçados mediante políticas linguísticas, pesquisa e ensino da língua de sinais. As línguas de sinais deverão fazer parte do currículo escolar de cada país (Declaração Mundial de Educação de Surdos, XV Congresso Mundial de Pessoas Surdas, Madri, julho de 2007).

No Brasil, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação pela Lei 10.436, de 26 de abril de 2002, e regulamentada pelo Decreto 5626/05. O decreto regulamenta a difusão e uso da Libras e garante um profissional tradutor e intérprete para ser o mediador na comunicação entre surdos e ouvintes. A janela de Libras é um meio eficaz de acesso à comunicação em todos os momentos, porém em uma situação de pandemia se faz um meio essencial e eficaz para o acesso ao direito à informação do cidadão, neste caso, dos surdos.

Diversos segmentos têm se atentado ao uso da janela de Libras nas famosas “lives”, vídeos, cultos religiosos e meio educacional. Um exemplo de meio educacional inclusivo conta com apoio de diversas “mãos”, ou seja, é necessário um trabalho multidisciplinar. Quando se fala em processo de ensino e aprendizagem, não podemos nos ater somente ao ambiente escolar e sim termos uma visão macro da palavra aprendizagem, pois somos seres que estão a cada dia mais aprendendo e se aperfeiçoando. A informação, e principalmente o acesso à ela, tem um papel norteador a balizador para nossa constante aprendizagem. Devemos possibilitar que o sujeito surdo tenha acesso e isso só se efetiva com o uso da língua de sinais para que a informação seja recebida de forma efetiva e fidedigna. Essa é a nossa bandeira!

Referências

LOPES, Maura Corcini. Surdez & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2007(Coleção Temas & Educação)

Monteiro, M. S. (2006). História dos movimentos dos surdos e o reconhecimento da Libras no Brasil. Revista Educação e Temática Digital, 7(2), 292-302.

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