
O corte de cabelo pode ser um desafio para muitas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), devido à hipersensibilidade sensorial e à dificuldade em lidar com mudanças na rotina. No Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo, o docente dos cursos de Cabeleireiro e Barbeiro do Senac Viamão, Alex Giovani Zitto, reuniu dicas valiosas para tornar esse momento mais tranquilo e confortável, garantindo uma experiência positiva tanto para a criança quanto para a família.
De acordo com o especialista, a sensação tátil, o barulho das tesouras, a vibração e o ruído da máquina causam hipersensibilidade sensorial, além da ansiedade por causa da mudança de rotina, do lugar e interações sociais desconhecidas durante esse processo. Para se preparar para esse atendimento, Zitto pontua: "É importante criar um ambiente acolhedor, ser empático, respeitar os limites da criança, procurar identificar a personalidade da criança e o que a deixa confortável, as ações, as falas, os gestos etc", enumera.
Entre as estratégias utilizadas para tornar o ambiente do salão mais acolhedor e minimizar o desconforto, o docente afirma que é necessário evitar sobrecargas sensoriais, reduzir sons altos, conversas desnecessárias, luzes em excesso e estímulos visuais em demasia. "Não utilize secadores de cabelo ou coisas que façam muito barulho, não deixe luzes muito fortes. Também deve-se adaptar objetos ao toque, escolher tecidos macios e evitar materiais que possam causar desconforto, como plástico rígido que causem barulhos e aspereza", indica.
Além disso, segundo o especialista, a comunicação visual ajuda a compreender o que está sendo dito: "Dá um senso de autonomia, expande a capacidade de interagir com o ambiente, reduz a ansiedade, expande a capacidade de interagir com o ambiente, permite que a criança expresse necessidades e promove o bem-estar. Explicar cada ação que será realizada reduz a ansiedade, pois a criança consegue entender o que vai acontecer, assim ela não vai ter nenhuma surpresa ou ficar ansiosa com o que vai acontecer em seguida, fazendo a criança se sentir mais segura", explica.
Em relação ao posicionamento, Zitto recomenda não segurar a criança, mas conversar, explicar a situação e contar o que vai fazer: "Procure criar um vínculo com algo que a criança goste. Se ela gosta de música, cante com ela. Se ela gosta de se movimentar, movimente-se com ela, criando assim uma identificação. É fundamental que o profissional mantenha sempre a calma, independente das reações da criança. Também é preciso cuidado redobrado com os materiais e equipamentos que possam causar ferimento e ter, principalmente, agilidade e rapidez na efetivação do serviço. É importante que o profissional consiga, ao mesmo tempo que conversa, canta ou se movimente, efetuar o serviço desejado", fala.
Para quem deseja aprender tais habilidades de acolhimento, o Senac Viamão oferece cursos aos alunos. "Atendemos crianças com diversos níveis de TEA, utilizando essas técnicas para preparar os estudantes para esses atendimentos específicos. Também promovemos palestras e inserções de falas de profissionais da área durante o decorrer do curso", ressalta o docente.
Os interessados devem ficar atentos à abertura de novas turmas do curso de Barbeiro no site do Senac Viamão. A escola fica localizada na Rua Reverendo Américo Vespúcio Cabral, 154 – Centro. Mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp (51) 98585-9819.