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Artigo

A Medicalização como ?única saída? para casos de Saúde Mental

por Ângela Candido da Silva - Psicologia, Administração e Ciências Contábeis com pós-graduação em gestão de pessoas.

A medicalização social, no que se refere à saúde-doença, diminui a autonomia do indivíduo, gerando aumento na demanda dos serviços de saúde. Então, pode-se dizer que a medicalização é um processo progressivo que se expande na biomedicina, acontecendo por meio de uma nova definição de comportamentos humanos direcionados como problemas médicos. Para Illich, 1975, (apud interface comunic. saúde e educ.2006), a expansão da medicina cientifica gera um fenômeno moderno do meio social da indústria de medicamentos, gerando uma concepção onde as instituições de saúde produzem doenças e a medicina produz iatrogênicas, ou seja, a perda do potencial cultural para o manejo em situações de dor, adoecimento e sofrimento. Este fenômeno traz consequências à saúde institucional, e a tese de Illich (1975) conclui que se perderam as bases culturais e sociais que permitiam que o indivíduo atuasse com maior autonomia e menos controle dos agentes profissionais institucionalizados em saúde.

 

Segundo Roncalli (2003), o Estado tem participação em proporcionar condições e qualidade de vida à sociedade por intermédio de suas políticas públicas de saúde, e se refere que:

Tudo vai desde o direito a um mínimo de bem estar e segurança ao direito de participar e levar a vida de um ser civilizado de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade. Dentre as instituições que aparecem mais intimamente ligadas a este propósito é o sistema educacional e os serviços sociais (p.3).

Entende-se, que no Brasil, atua-se no modelo residual, onde a responsabilidade do Estado acaba por ser mínima e grande a da família, sobre a saúde dos cidadãos, provocando insatisfação, cada vez maior dos usuários da rede de serviço de saúde. Na década de 80, as pressões da população, que inicialmente o governo ignorava, geraram mudanças significativas no sistema de saúde, especificamente nas práticas de saúde mental pela reforma sanitária (RONCALLI, 2003).

Os efeitos da medicalização, segundo Nascimento (2005), no campo da saúde mental e sobre a iatrogenia médica e farmacológica, acontecem especialmente a partir da década de 70 quando Ilhich (1975; Foucault (1977) formularam a crítica a medicalização social e o surgimento de uma tendência do sujeito considerar o enfrentamento de dificuldades problemas médicos ou instancia de dominação e controle. Os medicamentos farmoquímicos vistos como um progresso passam a atuar com outras modalidades terapêuticas como a acupuntura, por exemplo, assim como o valor das ervas medicinais ou da homeopatia. Esta coexistência demonstra as formas de se pensar a saúde e os mecanismos sociais para manutenção ou ampliação da mesma. (NASCIMENTO, 2005).

Entende-se então, que a introdução de novos recursos diagnósticos e terapêuticos pode ser refletido em considerável ganho da qualidade de vida desses pacientes e familiares, incluindo nesses recursos a psicoterapia de apoio voltada ao estudo dos acontecimentos e das pessoas pela sua dinâmica interativa e não simplesmente para o que está intrínseco no sujeito é uma perspectiva de tratamento. Neste contexto, o terapeuta torna-se um participante num processo ativo, observando as interações entre os membros da família, compreendendo-a como unidade e os outros sistemas com que interagem e orientando a própria família a solucionar os problemas.

Referências Bibliográficas

ANDOLFI, M. , A terapia familiar: um enfoque internacional. São Paulo, 1996.

FOLEY, V. ,Introdução a terapia familiar. Artes médicas, Porto Alegre, 1990.

FOUCAULT, M. (org) MACHADO, R. Microfísica do poder. 18ª. ed. São Paulo: Ed. Graal, 2003.

ILLICH, I. A expropriação da saúde: nêmesis da medicina. 4ª.ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1975.

NASCIMENTO, M.C., Medicamentos, comunicação e cultura. Ciências e saúde coletiva v.10 supl.0 Rio de Janeiro, 2005.

RONCALLI, A.G., O desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil e a construção do Sistema Único de Saúde. In: Antonio Carlos Pereira (Org.). Odontologia em Saúde Coletiva: planejando ações e promovendo saúde. Cap.2.p.28-49, Porto Alegre: Artmed, 2003. 

 

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