Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

A importância do planejamento docente em meados ao século XXI

por Josimar José Bonatto - Docente

Vivemos em um mundo onde os alunos andam dispersos, indisciplinados e desinteressados pelos conteúdos em sala de aula. Isso ocorre porque muitas vezes ainda utilizamos modelos tradicionais de ensino, em um mundo onde se exige “novos modos de sociabilidade, de convívio, de cultura e de aprendizagem”, como aponta Arroyo (2004, p. 27). Os jovens têm desenvolvido a capacidade de se apropriar de diversos afazeres simultaneamente. E, com uma velocidade jamais vista antes, eles conseguem construir conhecimento de maneira nova, adquirindo, assim, o conceito de “nativos digitais”.

Em razão dessa nova realidade, o aluno tende a abandonar o seu papel passivo em sala de aula para assumir um papel de maior participação, buscando mais interatividade e novas maneiras de relacionar teoria e prática.  Se antes havia um aluno que ia à escola para receber um pacote de informações que o professor tinha a lhe oferecer, agora este aluno exige interatividade, estímulo e caminhos para que, a partir do conteúdo disponível, ele possa construir seu próprio conhecimento de maneira crítica.

Nesse contexto, o papel do professor é fundamental para que haja essa quebra de paradigmas com relação à aprendizagem mecânica, favorecendo o desenvolvimento da aprendizagem significativa do aluno (resultado dos conhecimentos que o aluno já possui e os conhecimentos e informações adquiridos) e da aprendizagem colaborativa (capacidade de trabalhar em grupos e à construção coletiva do conhecimento) (AUSUBEL, 1968).

Para que essa finalidade seja atendida, o docente precisa realizar um projeto educacional, o qual, conforme afirma Veiga (2003, p. 279), “permite potencializar o trabalho colaborativo e o compromisso com objetivos comuns”. A ideia de projeto envolve a antecipação de algo desejável que ainda não foi realizado, traz a ideia de pensar uma realidade que ainda não aconteceu. O processo implica em analisar o presente como fonte de possibilidades futuras (Freire e Prado, 1999).

O uso de projetos na educação está embasado na ideia de que a construção do conhecimento deve estar pautada na definição conjunta de um processo de pesquisa com a participação ativa dos alunos, que são corresponsáveis pela seleção das fontes de pesquisa, estabelecimento de critérios e ordenação de atividades, sendo, dessa maneira, sujeitos ativos da própria aprendizagem.

Não se pode esquecer, como sugere Valente (1999) que os projetos pedagógicos precisam considerar diversos fatores, dentre os quais as intenções do educador, o conhecimento que ele tem sobre os conteúdos que pretende desenvolver, seus objetivos pedagógicos, a compreensão da realidade na qual atua em relação às expectativas e necessidades dos alunos, à estrutura escolar, etc.

Portanto, é fundamental conhecer as bases sobre as quais um projeto de trabalho se desenvolve. Afinal, um projeto se constitui de diferentes fases ou etapas, que não devem – e nem podem – ser rígidas, dado que se trata de um processo no qual as ações são realizadas e o conhecimento é construído. Assim, na forma de um trabalho pedagógico, o projeto deve ser planejado de modo a deixar clara a sua intencionalidade educativa.

Por fim, apesar de os projetos serem construídos coletivamente, razão pela qual seus percursos são imprevisíveis, o professor deve estar atento à finalidade educativa prevista inicialmente, no momento de sua concepção. Um projeto bem sucedido é aquele em que tais finalidades foram alcançadas.

BIBLIOGRAFIA

AUSUBEL, D. P. Educational Psychology: a cognitive view. New York: Holt, Rinehart and Winston, 1968.

ARROYO, M. G. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. Petrópolis: Vozes, 2004.

FREIRE, F. M. P.; PRADO, M. E. B. B. Projeto pedagógico: pano de fundo para escolha de um software educacional. In VALENTE, J. A. (Org.) O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: Unicamp-nied, 1999.

VALENTE, J. A. (org). O computador na sociedade do conhecimento. Campinas: Unicamp/Nied, 1999.

VEIGA, I. P. A. “Inovações e Projeto Político-Pedagógico: uma ação regulatória ou emancipatória?” Cad. Cedes

Serviços da escola
Serviços do Senac-RS
Acessos
Serviços
Institucional
Contato
Top of mind 2018
Top de marketing ADVB 2018
Great Place to Work 2018
Top Ser Humano 2018
Nós apoiamos o Pacto Global
Melhores em Gestão 2018