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Rio Grande do Sul

Artigo

A experiência de ensinar programação para um aluno cego

por Aline zanin

Decidi compartilhar um pouquinho da experiência que venho tendo ao trabalhar ensinando programação de computadores para um aluno cego. Primeiramente, para esclarecer a nomenclatura, utilizo a palavra cego, porque é esta a nomenclatura que o meu aluno prefere. 

Preciso falar que no dia em que entrei pela primeira vez na sala de aula onde atenderia a uma turma de 15 alunos sendo 14 videntes e um cego, minhas pernas tremeram muito mais do que o normal que já tremem em todo início de turma (esta é uma das partes que eu mais gosto na docência a ansiedade de conhecer a turma). 

Confesso que em menos de 5 minutos o meu medo foi embora, isto porque, tenho a sorte de estar lecionando para um aluno extremamente compreensivo, que está super afim de aprender, e para isso, afim de me ajudar a enfrentar todas as dificuldades que a minha pouca experiência com cegos e as ferramentas não acessíveis nos impõem. 

A nossa primeira dificuldade foi que por algum motivo a ferramenta que o aluno utiliza para leitura de tela, chamada NVDA, simplesmente não funcionou na máquina que ele estava utilizando, nem na minha máquina, nem na do colega do lado. O problema que identificamos foi que a ferramenta lia apenas duas palavras, sendo elas: "Em Branco". 

O NVDA é uma ferramenta simples e que até então não tínhamos ouvido falar dela não funcionar em alguma máquina. Juntos e com apoio da infra da escola, resolvemos o problema. A solução foi encontrada com a estratégia de tentativa e erro, testando várias máquinas até que uma funcionasse. O lado bom disso é que funcionou e o lado ruim é que não descobrimos o porquê das máquinas daquele laboratório o NVDA não funcionar. 

Nossa segunda surpresa foi descobrir que a ferramenta que eu uso para ensinar Java desktop para os alunos, o Netbeans, não é acessível. Esta parte a resolução foi simples, mudamos para o eclipse e tudo certo. 

Nossa terceira surpresa, e esta é a que está nos dando maior dor de cabeça é que estamos utilizando para entrada e saída de dados nos programas Java a biblioteca Swing e sua classe JOptionPane. As telas JOptionPane tem apenas o seu título lido pelo NVDA de forma que inicialmente a única leitura recebida é: "Mensagem!". Paliativamente estamos fazendo os exercícios de lógica de programação (if, else, for, while, do) colocando o resultado não só na mensagem mas também no título do JOptionPane para que o NVDA possa ler. 

Buscando melhorar as aulas e tornar os programas completamente acessíveis, seguimos buscando soluções diariamente. Uma medida tomada por nós, por iniciativa do aluno, foi instalar o JDK e o Eclipse de 32bits (mesmo na máquina 64), e ativar o Java Access Bridge. Esta medida permitiu que o aluno consiga colocar foco nas telas JOptionPane (mas ainda não conseguimos ler as mensagens). 

Recentemente descobrimos a API javax.accessibility, estamos explorando ela buscando identificar se com esta API vamos conseguir trabalhar com os elementos JFrame que são o nosso próximo desafio. 

Nas próximas semanas seguirei escrevendo por aqui, compartilhando nossas experiências, e se você leitor possui alguma experiência neste sentido toda contribuição é válida. 

 

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