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Artigo

A consciência ?Negra? de quem luta contra o preconceito ?branco?

por João Paulo Massotti

Novembro é o mês da Consciência Negra. Momento em que inúmeros movimentos sociais, principalmente dos negros, se preparam para discutir e promover reflexões acerca da sua história. A data, 20 de novembro, celebra o aniversário da morte do Zumbi, um dos mais importantes líderes do Quilombo dos Palmares, local para onde inúmeros escravos encontravam refúgio e resistência à escravidão, na luta pela liberdade. A importância em celebrar esta data está no diálogo e nas ações contra o racismo, muito disseminadas nessa época. Não é apenas refletir sobre o negro, mas sobre a sua condição de sujeito excluído e marginalizado. É quase inaceitável que em pleno século XXI ainda tenhamos que presenciar cenas de preconceito sendo disseminadas e defendidas nas redes sociais. O mais triste disso tudo, é que em muitos casos este discurso é construído, ou articulado ela mídia “a serviço” do entretenimento. Aliás, no Brasil ainda é muito comum fazer humor atacando as minorias. Um espaço ainda defendido por inúmeros veículos de comunicação e que, infelizmente, tem a aceitação de grande parte do público. 


Outro dado importante a ser destacado é o de que mais de 60% das vítimas de assassinato em nosso país são negros. O que promove uma enorme desvantagem em relação a um jovem branco, por exemplo. Além disso, os negros sempre estiveram em menos número nas universidades e instituições públicas. Portanto, é necessário desenvolver condições que possibilitem a criação de sistemas que promovam a desigualdade racial, excluindo assim, o estereótipo de que o espaço do negro se resume entre outros, ao samba, ao futebol e aos serviços. A própria exclusão do negro da literatura ou sua aceitação tardia, como foi o caso do reconhecimento como advogado, da OAB, ao líder abolicionista Luiz Gonzaga Pinto da Gama, mais de 130 anos depois de sua morte, ilustram muito bem os inúmeros erros cometidos no passado e que, sem que saibamos, continuam sendo acobertados em nosso país. 


Na literatura muitos parece se esquecer de que um de nossos maiores escritores, Machado de Assis, era negro, ou mulato, como preferem “minimizar”. A verdade é que embora tenha sido criado em um ambiente extremamente humilde, sua genialidade o permitiu ascender, mesmo em meio a todo o regime escravocrata. Há quem questione suas atitudes. Obrigado, muitas vezes a disfarçar, sua cor da pele, Machado que viveu inteiramente do jornalismo e da literatura, teria renegado os efeitos do preconceito no Brasil da época? E a omissão dos negos em seus textos? Seria outra marca de seu próprio preconceito ou do preconceito que temia sofrer? Questões importantes que nos fazem refletir sobre o poder da exclusão social em nosso país. É preciso continuar se posicionando conta o racismo em defesa de melhores oportunidades, para que questões como estas não tenham que surgir novamente. Pois um escritor, um ser humano, deve ser apreciado, pela sua grandeza, pelas suas atitudes, que nunca virão impressas na cor da pele. 

 

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