Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

Aos que cativam

por João Paulo Massotti - Docente do Senac Três Passos

Há tempos li “O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry. Faz mais de quinze anos, sem dúvida. Daquela primeira impressão, talvez, por não pertencer aos espaços do livro, pois nada sabia do mundo dos adultos e pouco lembrava dos encantos da infância, em quase nada me deixei cativar. Não entendia que tipos de mistérios eram impressionantes demais a ponto de não ousarmos desobedecê-los. Com o tempo, fui percebendo que essa minha ignorância ou desobediência, me afastava dos amigos verdadeiros. Esquecia-me, muitas vezes, que na vida “quando a gente anda sempre em frente não pode ir longe...”*, pois em alguns momentos é preciso olhar para os lados, para aqueles que nos acompanham na caminhada.


Em relação a um amigo, o Pequeno Príncipe diria: as pessoas grandes “jamais se interessam em saber como ele realmente 锹, sua voz, suas preferências e se colecionam borboletas. Para elas, a vida é calculada em números. A idade, os membros da família, o peso, o salário no final do mês. No entanto, quem compreende o verdadeiro sentido da vida percebe que os números deixam de ter tanta importância assim. Quando não damos conta deles não servem para nada. Os amigos se interessam por coisas poucas, não meros números que parecem crescer até o infinito inalcançável. Muitos números equivalem a poucos amigos. Quase nenhum se importa. São como baobás em um planeta minúsculo a se multiplicar e esgotar todas as fontes sem, nem ao menos, dar frutos no final.


Um amigo de verdade é o melhor remédio para as tardes de solidão. É como uma flor. “Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando a contempla. Ele pensa: “Minha flor está lá, em algum lugar...” Mas se o carneiro come a flor, para ele é como se todas as estrelas repentinamente apagassem!”¹ O verdadeiro amigo se torna insubstituível quando nos cativa. Quando nos lembramos dele na brisa do verão ou no perfume da primavera. A brisa e o perfume são invisíveis, pois são o essencial, e isto “é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração”¹. Quando o essencial passa a fazer parte da nossa vida é possível criar laços.


Amizades verdadeiras não são aquelas que mentem com presentes, mas as que curam com palavras. Confortam. Aquelas que, ao nos fazer lembrar a cor do trigo, ou a necessidade da fonte para saciar a sede quando estivermos no deserto, nos bastam, pois sabemos que estarão lá para nós. E mesmo as que não estão mais aqui, mas já viraram estrelas. Mesmo estas nos farão rir, quando percebermos que elas estão lá, nas estrelas, habitando uma delas, rindo para nós.


Muitos anos se passaram depois da primeira leitura. O que aprendi nesse tempo todo é que a nossa história, e os coadjuvantes que estarão lá conosco, são o resultado das nossas escolhas. Nem todos poderão cumprir o papel principal, menos ainda os que, do tapete vermelho, subirão ao palco. Mas raros mesmo serão aqueles a nos cativar de verdade. A estes nos tornaremos responsáveis, de modo a os considerarmos amigos verdadeiros.


* 20 de Julho – Dia do amigo.
¹ - Fragmentos retirados do livro “O Pequeno Príncipe” de Antonie de Saint-Exupéry. 

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