Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

O desafio da língua estrangeira

por Ruan Aramis Pinto - Docente do Senac Gramado

Aprender uma língua estrangeira é importante por causa de nossa língua materna. Sim, é isso mesmo, caro leitor. Entendeste bem o que acabei de dizer e não foi uma ironia. Se tu estás lendo este texto e o estás compreendendo porque o código usado na sua construção corresponde em parâmetros gerais à língua que tu aprendes desde o berço, é porque este código, a língua portuguesa, não possui a relevância e estima merecida que deveria ter no mercado de trabalho e nas relações internacionais.

Não me entenda mal, caso tu a ames, pois não estou desqualificando nossa língua mãe. Além da língua portuguesa, ensino também o espanhol e o francês. Com respeito às estrangeiras, as leciono sem precisar, por outro lado, desqualificar ou menosprezar minha língua mãe. Para mim, aliás, falar mal da língua portuguesa é como cuspir no prato em que se come. Esta língua do torrão de Viriato me é a mais cara e sublime.

 Falamos português e essa língua, prática e emocionalmente falando, nos é a mais importante, não cabendo aqui tentar provar o porquê de sê-lo.

Na lida diária, me parece cada vez mais necessária a aprendizagem de um idioma estrangeiro, ocupando o espanhol e inglês o topa da lista. Dependendo dos objetivos acadêmicos, laborais e relacionais, falar português, temo dizer-te, não será suficiente. Dentro do panorama internacional, a língua lusitana não tem voz, relevância ou sequer ouvidos que se prestem a tentar entendê-la. Triste dizê-lo, mas poucas pessoas, além dos falantes nativos, sabem falar ou querem aprender português.

Nas aulas de História aprendemos sobre os contatos entre diferentes civilizações e culturas. Muitos deles produziram imensos frutos graças à aprendizagem da língua do outro povo, embora isso não seja sempre lembrado nos livros escolares. A relação entre gregos, fenícios e egípcios, por exemplo, funcionou, por dentre vários motivos, porque também algumas pessoas se prestaram a aprender o idioma e a cultura de uns e de outros. Cabe aqui perceber que é necessário aprender não só a língua, mas também a cultura, daí o fato de instituições de ensino oferecerem não só o curso de idioma estrangeiro, mas também de civilização e cultura.

Aproveitando este ensejo, quando se ensina e aprende sobre civilização e cultura de um povo no âmbito do curso de língua estrangeira, não devemos nos limitar a simplesmente realizar um evento comemorando algo como a Revolução Francesa, o dia da Hispanidade ou o Halloween. Isso tudo deve ir além dos enfeites, deve levar-nos a reflexões, ideias, debates. Do contrário, poderemos estar somente realizando uma festinha de cunho publicitário.

Seria inútil seguir falando sobre a importância de aprender outros idiomas, pois a principal razão já foi apresentada: falamos português. Aparentemente, diante desta situação, parece que nos encontramos numa sinuca de bico. Ledo engano. Não será preciso menosprezar nosso idioma para passar a amar e a aprender um estrangeiro. Tampouco precisamos sonhar no dia em que ele se tornará um idioma de prestígio, ele já o é. Nosso idioma integra aquilo que temos de mais valioso: nossa existência, consciência e voz perante o mundo.

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