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Artigo

A prova tem papel fundamental no Desenvolvimento das Competências de cursos com enfoque profissionalizante?

por William da Cruz Sinotti - Docente da Fatec Pelotas

Resmas e mais resmas de papel em cima da mesa, momento de tensão, alunos sentados, nervosos, não sabem o conteúdo dos papéis, o professor aguarda o momento certo para realizar a entrega das mesmas, por fim, as folhas são entregues, momento de silêncio, nenhuma troca de informação deve ser feita, nada mais a comentar, agora é cada um por si.

Após um tempo decorrido, sala se esvazia aos poucos e por fim resta um professor, com pilhas de folhas a serem corrigidas que mostrará o desempenho do aluno em determinada competência a ser desenvolvida. Folhas corretamente preenchidas, nenhum “X” vermelho, outras balanceiam a quantidade de acertos e erros, outras em branco, outras com desenhos, e uma infinidade de possibilidades que podem conter as mesmas. Encerra-se então o evento chamado “Prova”.

O modelo descrito no cenário acima, foi, e ainda é, muito utilizado para evidenciar o desenvolvimento das competências dos alunos. Porém, quando nos deparamos postos em ambiente profissional, verificamos que, todas as nossas demandas nada mais são que provas, essas que evidenciam nossas competências. E nesse ambiente não nos é vetado o uso de materiais que nos auxiliem na execução dos processos. Importa é que nossa produção seja correta e possibilite o crescimento da organização.

Sendo assim, me questionei durante certo tempo: por que as provas clássicas são tão importantes? Por que pôr o aluno nesse tipo de cenário? É isso que ele encontrará profissionalmente dentro das empresas? A única resposta que encontrei para os questionamentos acima foi: Não! Os alunos têm de evidenciar o conhecimento, mas não se faz necessário que os mesmos entrem para uma sala, escrevam em um papel, entreguem e sejam avaliados.

Esse momento pode ser muito rico em questão de troca de conhecimento, em questão de aquisição de conhecimento. É um momento de aprendizado.Comecei minha trajetória na busca do rompimento deste paradigma inspirado nas práticas de Ken Blanchard, enquanto professor da Universidade de Cornell, costumava entregar sua avaliação, que seria aplicada no fim do semestre letivo, no primeiro dia de aula. Era questionado pelos demais colegas, pois dessa forma os alunos iriam sempre tirar nota 10.

Em resposta a isso, ele mencionava que esse era o objetivo dele, entregava a avaliação, trabalharia o semestre ensinando as respostas e assim todos tirariam 10. A intenção não era corrigir uma prova e sim fazer com que o aluno realmente aprendesse, mesmo que inconscientemente, e desenvolvesse a competência que ele enxergava necessária ser desenvolvida.

Buscando compreender melhor meu papel de educador, passei a me questionar o que eu queria? Compartilhar meu conhecimento a fim de que agregasse valor aos alunos, ou apenas que eles me mostrassem o que sabiam, e o que não sabiam? Passei nesse momento a realizar as avaliações de forma colaborativa, ou seja, o trabalho é individual, mas podem sim compartilhar ideias, trocar conhecimento e em caso de alguma dúvida, recorrer ao auxílio do professor. Não há necessidade alguma de pontuar as respostas para as problemáticas, mas mostrar o início do caminho ao qual o mesmo terá de trilhar e explicar o motivo.

Durante as avaliações pude notar as dificuldades, as dúvidas que surgem e sanar as mesmas no momento em que elas aparecem. Costumo observar as avaliações e anotar os alunos que solicitam mais auxílio, àqueles que trabalham sós, sem necessidade de ajuda, e deste ponto em diante, pude traçar metas e objetivos para cada um dos alunos e melhorar o desempenho de cada um.

O objetivo final de minha prática é sanar as dúvidas e fazer com que o aluno adquira a competência, o entendimento, independentemente de ser durante a aula, o exercício, o trabalho, a prova, etc, que importa é desenvolver o aluno para o mercado e lá ele terá apoios necessários para desenvolver suas demandas, não será uma sala fechada, sem ninguém, sem acesso a informação.

Se tenho de mostrar, aos alunos, a realidade do mercado, de nada adianta aplicar práticas que não o façam entender como funcionará lá fora, cabe a mim desenvolver a competência dos mesmos de maneira como ele adquira em seus futuros desafios.

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