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Rio Grande do Sul

Artigo

Avatar, Matrix ou Tão Tão Distante

por Lucas Silva dos Santos - Docente do Senac Taquara

Dificilmente encontro alguém que não tenha assistido ou ouvido falar sobre os filmes Avatar e Matrix, ou ainda algum comentário sobre Tão Tão Distante, a famosa cidade da trilogia Shrek. E o que essas produções têm a ver com o que vou comentar agora? Bastante coisa. Quero iniciar falando a respeito de Avatar. No reino onde vivem, tudo é perfeito, a natureza é impecável, todos a tratam com respeito, a comunidade se ajuda, são leais e protegem uns aos outros.

É claro que a aparência não é das melhores se usarmos nossos padrões para medir suas belezas, mas é possível perceber que dentro da sua realidade todos são belos. O interessante é que assim como no famosíssimo filme Matrix, existe a possibilidade então de se assumir um outro corpo em um outro mundo ou dimensão, onde você pode viver uma vida
perfeita.

Não é fantástico?!

Ali você não tem problemas físicos, e todos vivem em parcial igualdade, social, física e econômica! Que maravilha! Se Carl Marx estivesse vivo iria adorar morar nesse lugar! O mais interessante de tudo é saber que oito em cada 10 internautas brasileiros, sem contar o restante do mundo, tem acesso a esse mundo. É, eu e você também.

Participamos de um mundo onde tudo é belo (ou quase tudo). Um lugar onde todos são legais, simpáticos, bonitos, bons pais e boas mães, românticos, gentis, e por aí vai. Nem preciso dizer que estou me referindo às redes sociais. Pois é, pense um pouco sobre o tempo que você fica em frente ao computador ou celular para acessar as redes. Sua mente desconecta-se do mundo real e parte para um outro onde nos relacionamos com o que há de melhor de cada pessoa. Lá, todos somos praticamente o que queremos ser. Se quero ser um bom pai, basta postar uma foto linda com meu filho pequeno e contar uma história de pai-herói e pronto. Se quero parecer inteligente, marco lá os livros mais interessantes que li (ou não).

E, se quero dizer algo a alguém, aqui neste mundo me sobra coragem, inclusive para protagonizar os barracos digitais! E ao me desconectar deste mundo, o que acontece? Volto para Tão Tão distante. Que é o mundo real, e que muitas vezes não sei se é nele que estou ou se é no Avatar. E quando não me sinto bem neste, conecto-me ainda que em pensamento no bom e velho virtual. O complicado é quando dá curto circuito e misturo os dois, então, se alguém me pergunta um fato eu comento baseado em um vídeo que vi, se quero divertir os amigos conto uma piada que encontrei lá, se me perguntam sobre a vida de alguém, rapidamente vem à mente as postagens do dito cujo e, se me esqueço de algo é só tirar o celular do bolso e atualizar as informações.

Não gostaria de dizer neste meu comentário sobre este mundo que a probabilidade de contrair depressão é 20% maior nos usuários, nem que o vício que o dano cerebral que este vício causa é comparado ao da cocaína, entretanto é mais difícil de superá-lo.

Também não gostaria de falar sobre a reportagem que vi falando que, uso excessivo do Facebook deixa adolescentes narcisistas e agressivos. São diversas as pesquisas sobre essas ferramentas que estão alterando nossos hábitos, criando novos paradigmas, todavia não posso usar aqui de um saudosismo hipócrita dizendo: “porque no meu tempo era muito melhor”. Precisamos aceitar que isso é uma realidade, e não é algo que vai acontecer. O número de nativos digitais multiplica-se a cada ano e o que era exceção virou regra.

Quem não participa é retrógrado e desatualizado. No mínimo, um perfil no “Face” a pessoa tem que ter, mas se tiver o “Whats” já está de bom tamanho. Precisamos de uma coisa apenas: temperança.

 

 

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