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Rio Grande do Sul

Artigo

Nativos tecnológicos que não sabem o poder do uso das novas tecnologias para construir conhecimentos, mudar suas realidades

por Marizete Rodirgues Dotto - Docente

Diversas pesquisas e bibliografias nos alertam para a geração de alunos jovens que frequentam o meio escolar na contemporaneidade, os chamados nativos tecnológicos. Indo ao encontro dessas pesquisas, observamos em sala de aula alunas e alunos ansiosos, quase desesperados para ficarem apenas com os olhos fixos em seus "mágicos e encantadores" aparelhos. Em muitos casos, com caros smartphones, mesmo os alunos considerados carentes ou com baixo poder aquisitivo.

Pensando nesta nomenclatura “nativos tecnológicos”, sem uma reflexão profunda, imaginamos que atualmente todo o alunado jovem domina completamente as novas tecnologias para construírem aprendizados/conhecimento. No entanto quando vamos analisar, em especial os alunos carentes ou de baixo poder aquisitivo, o uso de seus caros e modernos aparelhos tecnológicos, poderemos nos surpreender, pois muitos deles não os usam para fim de pesquisa e sim, infelizmente e somente, como um meio para jogarem, acessarem redes sociais ou sites de fofocas.

Sabem como funcionam alguns recursos destes aparelhos, mas não sabem usar os recursos básicos do Word, Excel ou até mesmo o de e-mails gratuito, que só usam para poder acessar redes sociais, quando necessário. Não os usam jamais para pesquisar o significado de uma palavra, aliás, não sabem que podem e devem procurar o significado das palavras na internet. Pouquíssimos são os que têm acesso em suas residências ou fora delas a computadores de mesa ou notebooks.

Os alunos não percebem, nas novas tecnologias, a conveniência de construir conhecimentos em qualquer lugar, a mobilidade e facilidade dessa forma de aprender não porque não querem, mas talvez porque, no meio onde vivem, ninguém faz esse uso. Em um primeiro contato com ferramentas da informática para construção de textos, gráficos, ou fazer uma pesquisa, chegam a demostrar medo, não têm noção do que fazer. Muitos têm sérios problemas de leitura e interpretação de textos, falam e escrevem muito errado, não sonham com uma mudança de vida e nem sabem da realidade do tempo em que estão vivendo, que estão na era da informação e do conhecimento, que precisam "acordar'' para não ficarem fora do processo de desenvolvimento tecnológico e consequentemente do mundo do trabalho.

Lembrando que Oliveira (2016) observa:

Neste mundo de relações complexas do Sec. XXI, são exigidas cada vez mais profissionais críticos, criativos, autônomos, reflexivos, e com capacidade de trabalhar em grupo. Certamente estas atitudes podem e devem ser construídas e desenvolvidas pelos alunos e com os alunos. Por isso, a educação deve oferecer condições para que o aluno vivencie situações que lhes permitam construir e desenvolver essas competências, a fim de lidar com tais tecnologias (2016, p. 23)

Para enfrentarmos a falta de percepção do quanto as novas tecnologias podem os ajudar a construir conhecimentos, penso que sempre que possível devemos levá-los a trabalhar com pesquisa na internet, de preferência em grupos, mesclando quem tem mais conhecimento de informática com quem tem menos. Humanizar-se, demostrando nossas dificuldades e a necessidade de constante aprendizado, aprender com eles, sobre eles.

Contextualizar as potencialidades de aprendizado na história, do quão difícil era pesquisar fora de uma biblioteca e etc. Levá-los a perceber o tempo que estão vivendo, a imperatividade de sua geração saber usar as novas tecnologias, que é preciso saber mais que apertar botões, que precisam de outras habilidades, e estas passam pelos valores do esforço, persistência, resiliência, da interpretação de texto. Devemos ser capazes de compor projetos e atividades em sala de aula que integrem várias ferramentas e dispositivos de TIC (Tecnologias da Informação e Conhecimentos), metodologias ativas, para ajudar os alunos a adquirirem as habilidades de raciocínio, planejamento, aprendizado reflexivo, construção de conhecimento e comunicação, do aprender a aprender. Aprender a pesquisar, que é possível estudar a distância e mudar suas realidades.

Enfim, prepará-los para que se apropriem das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), do conhecimento disponível na rede. Devemos ter ainda mais atenção no ato de ensinar, em especial aos jovens carentes, para que estes não somem mais um déficit no seu aprendizado, o déficit de conhecimentos tecnológicos, ficando muitos somente sabendo deslizar os dedos pelas telas de seus caros aparelhos, substituindo o "apertar de parafusos" de gerações anterior, infelizmente não construindo uma visão sistêmica, perdendo-se em um mundo virtual, não preparados para um mundo real.

 

Marizete Dotto

Cientista Social - Especialista em Gestão da Cultura

Pós-Graduanda em Docência em Cursos Técnicos

Professora da Aprendizagem em Caçapava do Sul

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