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Rio Grande do Sul

Artigo

Alunos não são tábulas rasas, têm histórias

por Marizete Dotto - Orientadora educacional

Se uma criança nos primeiros anos de escola já traz algumas vivencia pois, segundo Piaget, o educando não é uma tabula rasa, mas sim um indivíduo que traz vivências e com estas vivências irá continuar a construir seus conhecimentos, imagina um adolescente, um adulto - quanta vivencia traz consigo.

Com base nesse pensamento, acredito que é necessário conhecer os alunos adolescentes e adultos para que eles se interessem por mais conhecimento. Logo, procuro conhecer suas histórias, já no primeiro dia de aula, apresento-lhes a possibilidade de contá-las para mim, digo o quanto interessada estou em saber, em conhecê-los. Com uma simples caixa de papel forrada na mão com os dizeres: estou muito interessada em você. Peço que me escrevam suas histórias. Apliquei este método em diversas turmas, e é impressionante o que eles trazem de suas vivências. Histórias de abandono, abuso, miséria, do sofrimento da separação dos pais, da perda pela morte de alguns ante queridos, seus medos, seus sonhos, que seus pais não têm escolaridade, que estão tristes porque perderam um amor, que já enfrentaram doenças, enfim, viveram, tem histórias para contar.

Faço isso por acreditar que um professor, além de pesquisar sobre os conteúdos a serem ministrados, elaborar seu plano de aula, deve, antes de tudo, pesquisar quem é o indivíduo que está ali para receber sua orientação na construção do conhecimento. No entanto, se a distância entre quem é o educando e quem o professor “acha” que é for muito distante da realidade, a construção do conhecimento será muito difícil, pois, por exemplo, ensinar algo que não soubemos é impossível, logo ensinar para quem não conhecemos, ou não nos interessamos em saber que é, também pode ser impossível.

Mas uma simples “cartinha” é uma porta de entrada no mundo do aluno. O professor deve estar atento o tempo todo, percebendo olhares, gestos, atos, comportamentos, seus silêncios e seus gritos. Na medida do possível, aprender sobre quem é o aluno. Freire (Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Pratica Educativa) nos diz: “Como professor preciso me mover com clareza na minha prática. Preciso conhecer as dimensões que caracterizam a essência da prática, o que me torna mais seguro no meu próprio desempenho. ” Assim, não conhecer o educando é como olhar para uma porta fechada, sem interesse em conhecer, sem interesse em ensinar, sem interesse na possibilidade de mudar uma realidade, muitas vezes triste. Sem conhecer meu aluno eu posso acreditar que ele é uma tábula rasa e matar seus sonhos. Sem conhecer meu aluno, não acontece a continuação da construção do meu próprio conhecimento. Todos perdem, educando e educador.

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