Senac

Rio Grande do Sul

Artigo

Setembro azul : luta, esperança e marcas de uma equidade pretendida por várias mãos!

por Lucirene Franz Ferrari - Professora do Senac Gravataí

A história do sujeito surdo passa por diversas fases de luta e esperança, que tinham por objetivo a conquista de um mundo mais inclusivo e equânime. A grande maioria das fases são cruéis e totalmente inaceitáveis, onde o surdo era visto como ineducável, sem alma e amaldiçoado, sofrendo diversos tipos de preconceitos e tendo seus direitos como ser humano desrespeitados.

Essas fases tem vários nomes, uma delas é denominada Congresso de Milão (1880) onde eles foram violentados linguisticamente, sendo proibidos de usarem sua língua materna, a língua brasileira de sinais (Libras). Dessa forma, a comunidade surda foi submetida a um processo de exclusão que resultou em vários prejuízos educacionais e sociais. Porém, esses não se “calaram” e com muita resiliência e força foram retomando seu espaço de direito como cidadãos em uma sociedade majoritariamente ouvinte e excludente em sua grande maioria.

Uma das diversas conquistas foi o reconhecimento de sua língua materna. A Língua Brasileira de Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação na Comunidade Surda brasileira em 24 de abril de 2002. Em 2005, o decreto
5626 veio a instruir e dar as diretrizes para o uso e difusão da língua de sinais, o que gerou uma reconstrução linguística por parte da sociedade no que diz respeito à cidadania de um modo geral.

Outra conquista é o mês alusivo às conquistas da comunidade surda, o Setembro Azul, que tem esse nome como simbologia e lembrança das perseguições dos nazistas às pessoas com deficiência que eram identificadas com uma faixa azul no braço pois as consideravam pessoas inferiores. O primeiro a usar essa simbologia como marca de luta e orgulho surdo foi o Doutor surdo Patty Ladd que usou a fita azul no braço na Cerimônia da FIta Azul (Blue Ribbon Ceremony) em 1999.

E a luta continua meus amigos ! Nada mudou! Tivemos avanços sim, mas não podemos nos calar em uma sociedade ouvinte que não proporciona a devida acessibilidade comunicacional. Essa acessibilidade não é somente necessária e sim direito em todos os espaços da sociedade. Para que isso se efetive é necessário: um profissional tradutor e intérprete, capacitado para a mediação da comunicação, uma sociedade fluente na Libras que se aproprie e conheça a
cultura e a identidade surda (que é tão linda, tão diversa, carregada de muita história e tem muito a nos ensinar) e empatia, fator determinante para uma sociedade tornar-se inclusiva.

*Lucirene é assistente social, licenciada em Língua Portuguesa, Psicopedagoga, Tradutora/ Intérprete/Instrutora da
Libras, pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva e Tradução e Interpretação da Libras. Certificada
com Prolibras 2015- Exame Nacional de proficiência em Libras.

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