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Rio Grande do Sul

Artigo

A Importância das Tecnologias da Informação e Comunicação - TICS No Ensino Customizado

por Rogério Ciotti - Docente

Educadores vêm somando esforços buscando transformar a educação escolar em uma ação construtivista, com base nos seguintes pressupostos:

 

1) o aluno é o construtor do seu conhecimento;

2) todo conhecimento é construído a partir do que já está construído;

3) o novo conhecimento deve partir do conhecimento já existente que o aluno traz para a sala de aula.


Coll e Martí (1990 apud DARSIE, 1999) também salientam que, se o conteúdo que o sujeito deve aprender estiver extremamente distante de sua compreensão ou totalmente ajustadas a sua compreensão, não se produzirá conhecimento ou produzirá um bloqueio, e a aprendizagem será nula. Entre esses extremos da compreensão, existe uma zona na qual os conteúdos são susceptíveis de provocar um desequilíbrio gerenciável no sujeito. É onde a ação docente deve situar-se - região definida por Vygotsky como Zona de Desenvolvimento Proximal - ZPD (FINO, 2001).


Essas concepções teóricas são conceituadas como interacionistas e, nesta linha, está vinculada a customização do ensino, da instrução que considera o processo de aprendizagem como heterogêneo: cada indivíduo aprende de formas diferentes e com o seu ritmo. Isso porque cada um tem conhecimentos prévios em níveis diferenciados sobre os conceitos apresentados durante a prática educativa. Sendo assim a interpretação das informações é heterogênea em uma sala de aula com inúmeros alunos.

 

Utilizando-se desses pressupostos, a customização do ensino, conforme a necessidade do aluno, vem se destacando como uma alternativa para o processo de transformação da educação escolar. Esses métodos, para Greggersen (2008), tem sua epistemologia em técnicas como:

 

Autonomia do Aluno - Escola Humanista ou Não-Diretiva: baseada na liberdade e poder auto organizador do aluno.

 

Aluno ativo - Cognitivista, Piagetiana ou Escolanovista: tendência muito influenciada pela Escola Nova que se centra no aluno e na sua ação.

 

As novas tecnologias aplicadas na educação ajudam o professor a criar condições de aprendizagem mais favoráveis, respeitando a individualidade de cada aluno, com um objetivo de efetivar e customizar o acesso a informações. O ensino customizado facilitado pelas novas tecnologias proporciona múltiplas experiências para que as informações sejam interpretadas e transferidas para memória de longo prazo, processo conceituado como aprendizagem.
Para Demo (2018), a multiplicidade de oportunidades de aprender que o aluno pode encontrar hoje em ambientes de aprendizagem mediados por novas tecnologias são bem mais centradas na atividade dos alunos, também mais flexíveis e motivadoras. Salienta que essas oportunidades se encontram hoje inseridas na sala de aula, por consequência das inovações, mais precisamente pelas inovações disruptivas.

 

A inovação disruptiva é quando um empreendedor ou profissional descobre como fazer uma mudança oferecendo mais de algo sem exigir menos de outro (HORN; STAKER; CHRISTENSEN, 2015). O termo inovação disruptiva refere-se a produtos e serviços que iniciam com aplicações simples, para aquelas pessoas que não possuem meios financeiros ou conhecimento para participar de outra forma no mercado. Isso explica porque a busca por informações na internet começou principalmente fora do núcleo da sala de aula, para atender estudantes em circunstâncias em que não havia alternativa, e não como uma solução para ensinar matemática e leitura.

 

As inovações disruptivas, como o acesso customizado a informações por meio das novas tecnologias, oferecem benefícios para os diferentes ritmos de aprendizagem existentes em uma sala de aula. Auxilia o aluno a personalizar a sua forma de aprender, utilizando-se de outras fontes de informação de acordo com as suas condições de acessibilidade.
Em uma sala de aula que possibilita acesso customizado a informações, o aluno pode buscar a informação em outros locais, proporcionando a interpretação conforme o seu ritmo. Não se atém apenas a interpretação da realidade apresentada pelo professor, busca com seu conhecimento prévio, a forma mais conveniente de compreensão. Nesse formato o professor apenas aponta as fontes de informação iniciais e o aluno interpreta e assimila com o acompanhamento e tutoria do professor.

 

No padrão de inovações disruptivas, a busca de informação e ensino online surge como uma alternativa secundária e de baixo custo para os alunos em relação à sala de aula presencial e tradicional. Além disso, vem melhorando consideravelmente para atender usuários mais exigentes em situações mais difíceis (HORN; STAKER; CHRISTENSEN, 2015). Essa prática transforma o modo com que o aluno busca informação e aprende. Ou seja, a forma como transfere informações da memória de curto prazo para a de longo prazo, heterogênea e interacionista.

 

Essas inovações proporcionam oportunidade para a modificação da prática educativa. Ao se efetivar a busca de informação por meio de novas tecnologias, com baixo custo, conveniente, facilitando o processo de aprendizagem, tornando o aluno construtor do seu aprendizado e autônomo, emerge uma transformação social na forma de aprender. Christensen (2002) faz um alerta muito pertinente: transformação social e inovação, ao se institucionalizar são vistas, pelos instrutores como perturbação ao funcionamento, não como alternativas.
A questão é: Sua sala de aula proporciona um ensino customizado, beneficiando-se da facilidade de acesso a informações disponibilizadas pelas novas Tecnologias da Informação e Comunicação?
 

Referências

CHRISTENSEN, C. M. The innovator’s dilemma. Harvard: Harper CollinsPublishers, 2002. (Collins Business Essentials).

 

DARSIE, M. M. P.. Perspectivas Epistemológicas e suas Implicações no Processo de Ensino e de Aprendizagem. Cuiabá, Uniciências, v.3: 9-21, 1999.

 

DEMO, Pedro. Aprendizagens e novas tecnologias. Disponível em: Acesado em: 17/10/2018

 

FINO, Carlos Manuel Nogueira. Vygotsky e a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP): três implicações pedagógicas. Revista Portuguesa de educação, v. 14, p. 273-291, 2001.

 

GREGGERSEN, Gabriele. Filosofia e Políticas Educacionais. Módulo de Filosofia e Políticas Educacionais. Escola superior aberta do Brasil - ESAB. 2008.

 

HORN, Michael B.; STAKER, Heather; CHRISTENSEN, Clayton. Blended: usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. Penso Editora, 2015.

 

 

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