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Artigo

Epicuro: uma breve reflexão sobre o consumo em época de pandemia

por Rubiel Cardoso de Souza

Epicuro de Samos (341-270 a.C.) foi um filósofo grego. Chamado por alguns de “filósofo da alegria”. Epicuro comprou um jardim em Atenas o que lhe rendeu a alcunha de “mestre do jardim”. Nesse jardim-comunidade, o filósofo ensinava suas doutrinas sobre a felicidade, a amizade, o prazer etc. A palavra prazer deriva do termo grego hedoné, conceito que, na posterioridade, passou a significar pejorativamente sinônimo de luxúria, depravação e sensualidade. É daí que, até hoje, se fala em hedonismo como dedicação exacerbada ao prazer como estilo de vida. Porém não era esse o sentido com que Epicuro abordava a questão do prazer, o que houve foram desprezo e distorção das doutrinas do filósofo no devir histórico. Isso é uma longa história...

Vale ainda lembrar que, na comunidade de Epicuro, todos eram aceitos e instigados à reflexão. Escravos, pobres e principalmente mulheres, o que não era comum numa sociedade patriarcal, e que também não interessava nem um pouco aos interesses do status quo da época, era comum entre os discípulos de Epicuro. Com isso, podemos afirmar, a comunidade de Epicuro era um espaço democrático no qual todos eram bem-vindos a participar e a refletir. 

O “mestre do jardim” apontou algumas questões interessantes, e porque não se dizer atuais, para se pensar hoje? Tentaremos resumir. O filósofo fala sobre os “prazeres naturais necessários” que seria aquilo que de fato nosso corpo necessita para viver, como água, alimento e sono. Segue o arrazoamento do pensador sobre os “prazeres naturais não necessários”, ou seja, se necessita do alimento, contudo, criar uma “culinária-estética” é contingente, não necessária. Em outras palavras, tudo aquilo que excede a real manutenção da vida torna-se não necessário. Por fim, temos “os prazeres não naturais e não necessários” que, trocados por miúdos, é tudo aquilo do campo da ilusão em que se busca realizar e sentir prazer ultrapassando as necessidades naturais. Um parco exemplo? Glória, fama, honra e status. Imagine quão “frustrado” ficarei se ninguém curtir esse breve artigo? Ou, se não curtirem no Facebook as fotos de minha última viagem? Tal desejo não passa de um “prazer não natural e não necessário”. Muito mais se poderia falar de Epicuro, mas vamos às possíveis aplicações.  

Com a devida vênia, não se busca aqui criticar nenhum pensar diferente. Não obstante, é fato que estamos imersos em uma cultura de consumo. Consumo, por sua vez, é tudo aquilo que o indivíduo necessita para a sua sobrevivência natural, óbvio! Porém, consumismo, possui um cariz ideológico, ou seja, é tudo aquilo que torna possível e que faz girar a roda da sobrevivência em um mundo neoliberal. Neste cenário, não é mais a máxima de Descartes que prevalece: cogito ergo sum, isto é: “penso logo existo”, mas sim o premente convite hodierno capitalista: “consumo logo existo”. Que paradoxo a se pensar, não?

O isolamento social em que vivemos tem algo a nos ensinar em meio à pandemia. Muitas pessoas diferentemente de suas concepções político-econômicas perceberam que, no final das contas, o que se necessita de fato é viver com aquilo que é mais necessário e natural à vida. Isto é, o mantimento necessário para a sobrevivência. Valores como amizade, amor e fraternidade acentuam-se no momento revelando que o ser humano “não é uma ilha”, por exemplo: quantos, neste momento, não sentem falta de abraçar seus entes queridos? Quantos, entre nós, não sentem falta daquela trivial conversa no corredor ou daquele aperto de mãos? Ainda, o que falar das risadas compartilhadas sem máscaras? Por fim, vale à pena repensarmos o que de fato importa para vida e, nesse sentido, acredito que Epicuro tem muito a nos ensinar.

Epicuro de Samos (341-270 a.C.) foi um filósofo grego. Chamado por alguns de “filósofo da alegria”. Epicuro comprou um jardim em Atenas o que lhe rendeu a alcunha de “mestre do jardim”. Nesse jardim-comunidade, o filósofo ensinava suas doutrinas sobre a felicidade, a amizade, o prazer etc. A palavra prazer deriva do termo grego hedoné, conceito que, na posterioridade, passou a significar pejorativamente sinônimo de luxúria, depravação e sensualidade. É daí que, até hoje, se fala em hedonismo como dedicação exacerbada ao prazer como estilo de vida. Porém não era esse o sentido com que Epicuro abordava a questão do prazer, o que houve foram desprezo e distorção das doutrinas do filósofo no devir histórico. Isso é uma longa história...

Vale ainda lembrar que, na comunidade de Epicuro, todos eram aceitos e instigados à reflexão. Escravos, pobres e principalmente mulheres, o que não era comum numa sociedade patriarcal, e que também não interessava nem um pouco aos interesses do status quo da época, era comum entre os discípulos de Epicuro. Com isso, podemos afirmar, a comunidade de Epicuro era um espaço democrático no qual todos eram bem-vindos a participar e a refletir. 

O “mestre do jardim” apontou algumas questões interessantes, e porque não se dizer atuais, para se pensar hoje? Tentaremos resumir. O filósofo fala sobre os “prazeres naturais necessários” que seria aquilo que de fato nosso corpo necessita para viver, como água, alimento e sono. Segue o arrazoamento do pensador sobre os “prazeres naturais não necessários”, ou seja, se necessita do alimento, contudo, criar uma “culinária-estética” é contingente, não necessária. Em outras palavras, tudo aquilo que excede a real manutenção da vida torna-se não necessário. Por fim, temos “os prazeres não naturais e não necessários” que, trocados por miúdos, é tudo aquilo do campo da ilusão em que se busca realizar e sentir prazer ultrapassando as necessidades naturais. Um parco exemplo? Glória, fama, honra e status. Imagine quão “frustrado” ficarei se ninguém curtir esse breve artigo? Ou, se não curtirem no Facebook as fotos de minha última viagem? Tal desejo não passa de um “prazer não natural e não necessário”. Muito mais se poderia falar de Epicuro, mas vamos às possíveis aplicações.  

Com a devida vênia, não se busca aqui criticar nenhum pensar diferente. Não obstante, é fato que estamos imersos em uma cultura de consumo. Consumo, por sua vez, é tudo aquilo que o indivíduo necessita para a sua sobrevivência natural, óbvio! Porém, consumismo, possui um cariz ideológico, ou seja, é tudo aquilo que torna possível e que faz girar a roda da sobrevivência em um mundo neoliberal. Neste cenário, não é mais a máxima de Descartes que prevalece: cogito ergo sum, isto é: “penso logo existo”, mas sim o premente convite hodierno capitalista: “consumo logo existo”. Que paradoxo a se pensar, não?

O isolamento social em que vivemos tem algo a nos ensinar em meio à pandemia. Muitas pessoas diferentemente de suas concepções político-econômicas perceberam que, no final das contas, o que se necessita de fato é viver com aquilo que é mais necessário e natural à vida. Isto é, o mantimento necessário para a sobrevivência. Valores como amizade, amor e fraternidade acentuam-se no momento revelando que o ser humano “não é uma ilha”, por exemplo: quantos, neste momento, não sentem falta de abraçar seus entes queridos? Quantos, entre nós, não sentem falta daquela trivial conversa no corredor ou daquele aperto de mãos? Ainda, o que falar das risadas compartilhadas sem máscaras? Por fim, vale à pena repensarmos o que de fato importa para vida e, nesse sentido, acredito que Epicuro tem muito a nos ensinar.

 

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