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Rio Grande do Sul

Artigo

A difícil, mas fundamental, arte de escutar

por Fabiana Parisotto Fernandes

A atualidade atingiu o auge da tecnologia, do desenvolvimento, do trabalho acelerado e dos grandes feitos, mas, ao mesmo tempo, chegou também na época da solidão, do desinteresse pelo ser humano, do egocentrismo, da vida agitada que não permite um tempo de reflexão, de convívio, de conversas de verdade.

 

Está difícil manter contato com o ser humano, pois todos falam, mas muito poucos escutam. Como assim se a comunicação é a base de toda interação e a interação é necessária para que nosso dia a dia aconteça? Sim, poucas, muito poucas pessoas escutam de verdade, com a audição, o pensamento, a emoção e o interesse. Ouvimos superficialmente e absorvemos somente o que interessa para nós. Isso não é ouvir. 


Antigamente, as pessoas reuniam-se para conversar, saber uns dos outros, contar as novidades, as alegrias e até os problemas. Trocavam emoções, conhecimentos, ideias e sugestões. Hoje não acontece mais. Conversamos o tempo todo com muitas pessoas e as vezes, no minuto seguinte, não lembramos mais nenhuma palavra do que ouvimos porque estávamos apenas de corpo presente. Olhamos para nosso interlocutor, sorrimos, concordamos, soltamos algumas palavras, mas não nos apropriamos do que foi expresso, não entendemos e nem sentimos a emoção que estava presente naquele momento. Nossos sentimentos, pensamentos e atenção estavam voltados para nosso mundo particular cheio de inseguranças, problemas, sonhos secretos de alcançar cada vez mais, e o inverso também acontecem. Buscamos pessoas para compartilhar nossas palavras carregadas de sentimentos e não encontramos na totalidade. As trocas são geralmente frias e carregadas de diplomacia. 


Compartilho da mesma opinião de Rubens Alves quando diz que encontramos muitos cursos de oratória, mas nunca ouvimos o anúncio de cursos de escutatória. Precisamos aprender novamente a ouvir. Olhar para as pessoas e, naquele momento, se abster de qualquer interrupção para conectarem-se por completo e poder viver a sensação de conversar, de ouvir e ser ouvido, de comungar do mesmo momento. 


Precisamos rever o que realmente nos faz bem e rever nossas atitudes de relacionamento. Ouvir quem nos procura para conversar de corpo e alma. Estar presente, mesmo se o que estamos ouvindo não for de nosso interesse ou não nos agregar em nada, até porque, o ato de se importar pelo que o outro está falando vai dar suporte e pode salvar a vida emocional.

 

Essa repercussão toda só no simples ato de escutar de verdade. Ouvir na plenitude. Isso não só é uma forma de manter relacionamentos interpessoais de qualidade, mais é mostrar respeito pelo ser humano. 

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