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Artigo

Síndrome dos Sobreviventes e a dieta organizacional

por Eduardo Fortunati

Falar sobre a crise econômica já não é mais novidade para ninguém, muito menos para os profissionais ligados à gestão das organizações que passam constantemente aprimorando seus conhecimentos e técnicas para manterem as empresas ativas no mercado de trabalho. Dentro das práticas mais utilizadas pelas organizações está o enxugamento de colaboradores e o redirecionamento de atividades. Em meio a essas mudanças, que muitas vezes não são uma opção, mas sim uma obrigação, os olhares se voltam para as pessoas demitidas e suas famílias. Porém, os colaboradores que “sobrevivem” a essa triagem não permanecem os mesmos após passarem por essa experiência. 

O objetivo principal das organizações é o lucro, e para chegar a esse objetivo elas precisam enfrentar a competição, as mudanças de mercado e administrar o capital humano que possui, além de outros diversos problemas ligados a esses âmbitos. Um recurso que divide opiniões é a dieta organizacional que consiste, basicamente, em reduzir recursos humanos, técnicos e muitas vezes físicos. 

A redução de quadro, muitas vezes imposta de maneira brusca pelas empresas, afeta não somente os desligados e seus familiares, mas também a empresa de uma maneira geral. Um elo importante que muitas vezes passa despercebido é o elo dos colaboradores que permanecem ativos na empresa. É certo que os mesmos já não são mais os mesmos após passarem por uma experiência de “sobreviver” a essa seleção necessária. 

Normalmente o colaborador que permanece na empresa precisa aderir a essa dieta juntamente com a mesma, tendo que aprender a lidar com a escassez de recursos, que antes existiam em maior quantidade e variedade, bem como em muitas vezes ter que assimilar as responsabilidades dos colegas que foram desligados. Além de ter que elaborar o luto pelas perdas e aprender a lidar com sua ansiedade e sofrimento gerados pela dúvida sobre sua permanência na empresa no momento de corte. O que popularizou a “Síndrome dos sobreviventes”. 

O vínculo empregatício trata-se de uma das relações interpessoais estipuladas pelo ser humano e assim como em todas as relações interpessoais de vinculo importante, uma vez que passam por turbulências, faz com que os envolvidos retornem com cicatrizes. Essas cicatrizes podem afetar na sua motivação, autoestima, rendimento e na imagem que o colaborador tem sobre a empresa em que trabalha. 

O que é certo, é que diante de uma situação assim, não importa mais a quantidade, mas sim a qualidade dos recursos humanos e materiais disponíveis. Os colaboradores desligados não fazem mais parte das preocupações das organizações, mas sim os que ainda permanecem nela. É certo também que aprender a conviver com essa nova realidade é um desafio de todos envolvidos e não somente da gestão das organizações. Empresas com abertura e flexibilidade, além de atualizadas e comprometidas com qualidade do capital humano podem encontrar em conjunto com seus colaboradores um ambiente minimamente confortável para lidar com esses conflitos de uma maneira produtiva.

Vale ressaltar também, que essas conflitivas têm um lado bom, que é o movimento que elas obrigam todos os envolvidos a fazer, essas ações previnem o comodismo e obrigam os colaboradores e organizações a se atualizarem e evoluírem em conjunto. No final desse processo é possível estabelecer um vínculo bem mais forte se bem conduzidos, mas para isso os interesses precisam estar alinhados e adoçados com um pouco de boa vontade das partes envolvidas. 

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